O vôo do chef

Blog gastronômico

Archive for agosto 2010

Creme de Abóbora

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Creme de Abóbora

Ontem foi noite da nossa pseudo confraria. Pseudo? É pseudo. Há uns 2 anos, eu, o Maurício e o Marcos, respectivamente o onconlogista e o radioterapeuta da minha esposa, que no processo de cura da Ana ficamos grandes amigos. Depois de um jantar com as respectivas companheiras, em um certo restaurante aqui da capital, não sei se pelo efeito do vinho ou pela conta extremamente salgada, resolvemos montar uma confraria. Decidimos que uma vez por mês, de forma alternada, cada um de nós cozinharia para os outros. Até aí tudo bem, seria uma confraria nos moldes costumeiros. O primeiro sortudo fui eu. Fiquei tão empolgado em mostrar os meus talentos culinários que comecei a me preparar com uma semana de antecedência. O jantar foi um arraso, todos adoraram! E ainda por cima na hora da divisão dos custos acharam muito barato. Só que me empolguei tanto que acabei intimidando os meus nobres companheiros. Acabou que a confraria virou uma pseudo confraria. Continuamos a nos reunir, mudávamos até de casa, mas só eu que cozinhava. O Maurício cara de pau ainda por cima, aprende comigo e vai cozinhar para outros amigos sem me convidar…rs. Como o Marcos está se aprimorando na Espanha, estávamos há algum tempo sem reunir a pseudo confraria e aproveitando que ele está aqui esta semana, ontem foi a noite.

Confesso que estava meio preguiçoso, gripadíssimo e muito cansado. Passei 15 dias perguntando o que eles gostariam de comer. O Marcos falava que só não podia ser Paella que ele estava meio enjoado de comer tantas por lá. O Maurício como bom gaúcho que é, só falava que queria carne. Minha esposa queria picadinho de Filet. Então fui ao supermercado na última quinta, comprei ingredientes para fazer o picadinho ou a picanha de forno. Tudo dependeria da minha disposição. E como estava com um preguiça só, a picanha de forno venceu! Fiz uma saladinha fantástica de baby alface hidropônico, com tomates holandeses, cebola roxa em fatias e queijo prato ralado grosso. Fiz um molho Honey Mustard. Fiz o molho para a carne. Farofa rica e acabou o meu gás. Fritei mandioca e polenta pré-frita e desisti de fazer arroz. Tínhamos combinado também de fazer de sobremesa, souflê de doce de leite com molho de queijo. Ficou para a próxima. Além destes pratos, fiz um de Creme de Abóbora que publico aqui para vocês. Esta seria a primeira receita que publicaria passo-a-passo. Mas não sei se pela gripe ou o que, tirei várias fotos sem o cartão de memória. Culpa da minha querida filha.

Creme de abóbora

Ingredientes

700 Gr Abóbora
1 Unidade Cebola grande
1 Unidade Pimenta dedo de moça
500 Ml Água
50 Gr Manteiga sem sal
250 Ml Requeijão
1 Fio Azeite de oliva
a gosto   Sal e pimenta do reino

Modo de preparo

 Normalmente eu gosto de usar abóbora pescoçuda, não me lembro do nome certo agora. Descasque a abóbora e corte em cubos de mesmo tamanho. É importante que os ingredientes, sempre que possível, tenham o mesmo tamanho. Assim quando forem cozinhar, assar, ficarão prontos no mesmo tempo. Fatie a cebola. Coloque em uma panela que caiba pelo menos 2 litros, a manteiga. Cozinhe em fogo brando. Adicione a cebola e deixa até começar a caramelizar. Adicione a abóbora. Misture bem, adicione a água e tampe a panela. Deixe cozinhar até que a abóbora fique bem macia. Enquanto isto, retire o caule e as sementes da pimenta dedo de moça. Depois que a abóbora estiver cozida, desligue o fogo, adicione a pimenta dedo de moça e leve para bater no liquidificador. Lembre-se de começar a bater em velocidade baixa. Devolva o creme para a panela original e ligue o fogo baixo. Vá adicionando o requeijão aos poucos e mexendo para dissolver. Adicione sal e pimenta do reino moída na hora a gosto. Você pode enfeitar o creme com pétalas de salsinha ou fazer desenhos com gotas de creme de leite.

Abraços.

 

 

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Written by ovoodochef

agosto 28, 2010 at 6:40 pm

Publicado em Receita

Você sabia que a Baunilha é o fruto de uma determinada orquídea?

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Meus leitores e leitoras, outro dia ganhei um puxão de orelha da Rejane, uma amiga do trabalho que também é apaixonada por comida. Ela disse: “- Não gostei de ver a essência de baunilha na receita do chantilly…”. Daí começou a tecer um rosário sobre Baunilha em fava etc. Vamos esclarecer uma coisa aqui, tem dia que na receita vou colocar caldo de carne knorr ou outro tipo que facilite a execução. Tem dias que vou colocar como você deve fazer um caldo de carne, peixe, legumes, carneiro completos. O objetivo principal aqui é todos se divertirem, se aventurarem na cozinha. Dos mais expertos, como a Rejane, aos mais iniciantes, como o meu primo Gui. Já que é vez e agradar a Rejane, vamos falar hoje sobre a Baunilha.  

 A baunilha é o fruto de orquídeas do gênero Vanilla, nativas do México. Etimologicamente, o nome Baunilha é derivado do espanhol vainilla, por sua vez tomado do latim vagina que significa bainha, vagem. Na maioria das línguas a Baunilha é designada por termos foneticamente muito semelhantes: vanilla em inglês, wanilia em polaco e vanilje em sueco.  A Baunilha é uma das especiarias mais caras do mundo, devido à quantidade de trabalho necessária à sua produção. Apesar do seu custo, é muito apreciada pelo seu flavor( sensação fisiológica da interação do paladar e olfato. A sensação ao ingerir alimentos, muitas vezes chamada equivocadamente de “sabor” se refere ao flavor), sendo usada domestica e industrialmente em alimentos, perfumaria e aromaterapia.  

A história da baunilha está associada à do chocolate. Os astecas, e já antes os mais, decoravam com baunilha uma bebida espessa à base de cacau. Os astecas designavam tal bebida, destinada aos nobre e aos guerreiros, xocoatl. Porém, os astecas não cultivavam nem a baunilha nem o cacau, devido ao clima impróprio. Tais produtos de luxo provinham do comércio com as regiões vizinhas. Provavelmente não dispunham do conhecimento agronômico da planta que produzia a baunilha, pois chamavam-lhe tlilxochitl, que significa «flor negra»,  embora fosse mais lógico que a chamassem «fruto negro».  

vagens secas da baunilha

A Baunilha é colhida verde e curada em ambiente especial. Depois desse processo, fica com uma coloração marrom escura. A maneira de usar é colocar a fava sobre uma superfície plana e dividi-la ao meio num corte longitudinal, com uma faca bem afiada. De dentro dela saem minúsculos grãos que podem ser ingeridos e vão dar o sabor perfumado, doce e delicado da baunilha verdadeira. Tem uso freqüente em sorvetes e doces à base de leite e creme, mas também em chocolate e frutas de sabor suave (não muito azedas). Na culinária moderna, também funciona bem em alguns pratos salgados, resultando em combinações de sabor inusitado.  

 Chantilly  

chantilly é um tipo de creme fresco de leite fortemente emulsionado, ligeiramente açucarado e com leve aroma de baunilha. A receita original, do século XVIII, é atribuída a François Karl Vatel. Suiço que em 1714, durante sua estada na França, primeiro como chef do castelo de Vaux-le-Vicomte pertencente ao intendente real Nicolas Fouquet, e depois no Castelo de Chantilly, pertencente ao marechal de Conde. Apesar de ter sido servido pela primeira vez no castelo de Vaux-le-Vicomte, acabou tomando o nome do castelo de Chantilly. A única diferença do Crème Chantilly e do Crème Fouettée é que o Creme Chantilly contém baunilha (açúcar vanille, extrato de baunilha ou sementes).  

 Ingredientes

500 Ml Creme de leite fresco
1 Colher sopa açucar
1 Fava baunilha

Modo de preparo  

Coloque o creme de leite em uma panela.  Abra a fava de baunilha ao meio no sentido do cumprimento, raspe as sementes e adicione ao creme de leite. Leve a panela ao fogo até ferver. Quando ferver desligue o fogo e deixe até esfriar. Leve o  creme de leite a geladeira. Quando o creme de leite estiver gelado, adicione o açúcar e bata na batedeira até a consistência desejada.  

Um uso muito legal da baunilha é colocar uma fava dentro do seu pote de açúcar. O açúcar vai ficar com um gostinho muito bom.  

Espero ter atendido as expectativas da Rejane.  

Abraços. 

Fonte: Wikipédia.

Written by ovoodochef

agosto 27, 2010 at 12:26 am

Receita para o Gui

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Bem, hoje começo uma nova categoria aqui neste blog. Para atender ao pedido do Gui vou procurar semanalmente colocar aqui receitas que possam ser feitas de forma simples, rápida e que possa impressionar a sua convidada. Já ia me esquecendo, vocês tem razão. Quem é o Gui, ou melhor, o Guilherme? Este cara é meu primo que mora já há alguns anos no Rio. Ele estuda cinema, inclusive já dirigiu alguns curtas bem interessantes. É músico também. Conheço o Gui desde que ele nasceu, a nossa diferença de idade é de uns 18 anos. Ele sempre foi um cara certinho que está descobrindo as benesses da vida de solteiro na cidade maravilhosa. Carpe Diem Gui!

Penne al pomodoro al profumo di basilico 

Ingredientes

200 Gr Penne
1 Lata Pomodoro italiano
2 Lt Água
2 Colher sopa Sal
3 Colher sopa Azeite extra virgem
3 Colher sopa Folhas de manjericão
2 Colher sopa Cebola picada
1 Colher chá Alho picado
  À gosto Sal e pimenta do reino
100 Gr Parmesão em pedaços

 

Vamos ao supermercado

Bem Gui, já que você está de posse da lista de ingredientes, vamos ao supermercado. A 1ª lição, a qualidade dos insumos(ingredientes) é quase meio caminho para o sucesso! Digo meio porque se você usar um insumo ruim vai precisar de muita técnica para chegar ao sucesso. Mas mesmo usando um insumo de boa qualidade, você pode estragar tudo! Mas não se desespere, vou passo a passo para você. É eu sei, os insumos bons são mais caros. Mas não tem problema, como você vai cozinhar praticamente para uma convidada só, você não vai precisar comprar muito. Logo não fica muito caro. O Penne você pode comprar da marca italiana Barilla, ou alguma marca similar. A lata de pomodoro italiano, pode escolher a mais barata. Você vai utilizar tomate italiano em lata porque é muito mais fácil. Você não vai precisar escolher o tipo de tomate certo, despelar e tirar as sementes do tomate, controlar a acidez do molho etc. O azeite extra virgem eu tenho comprado da marca andorinha,tem uma relação preço/qualidade interessante. Mas se você não achar por aí, procure um azeite extra virgem que a acidez não ultrapasse 0,5. Se você não tiver cebola em casa, compre apenas uma. Já o alho, você pode comprar uma cabeça, mesmo que você vá utilizar apenas um dente, ou comprar um potinho de alho picado. O Manjericão, não vai ter escapatória, tem que compra um maço. Sal você deve ter em casa. A pimenta do reino fica melhor quando você pode moer na hora, mas para isso você precisaria ter um moedor que é uma peça legal de você ter na cozinha. Se você tiver o moedor compre a pimenta do reino em grãos. Senão compre um pacotinho de pimenta moída. Para finalizar as compras, procure um pedaço de queijo parmesão. É muito mais co0l, você ralar na hora que estiver servindo. Já que compramos tudo, vamos ao preparo!

Modo de preparo

Vamos começar pelo molho. Coloque em fogo baixo uma panela ou frigideira média, adicione duas colheres do azeite, a cebola e o alho. Deixe cozinhar um pouco. Cuidado para não queimar o alho e a cebola. O importante quando você está cozinhando é não se distrair com outras coisas. Lembre-se dos 10 mandamentos que já postei aqui. Coloque todo o conteúdo da lata de tomate. Misture e vá com o auxílio de uma colher cortando o tomate. Misture e corte de vez em quando até os tomates se desmancharem. Nesta hora, você pode escolher dois caminhos, servir um molho mais rústico, ou bater o molho no liquidificador. Se você optar em utilizar o liquidificador, comece batendo em uma velocidade baixa e depois aumente. Lembre-se que o molho está quente. Com o molho na panela, adicione o manjericão, de uma misturada. Adicione uma pitada de sal e pimenta do reino. Nesta hora você tem que experimentar até chegar a seu gosto. Vá colocando sal aos poucos! Tampe a panela e desligue o fogo.

Coloque a água em uma panela que tenha tampa e que caiba a água toda e mais um pouco. Ligue o fogo alto e tampe a panela. Com a panela tampada a água vai ferver mais rápido. Quando levantar fervura adicione as duas colheres de sopa de sal, não muito cheias. Na realidade, para cada litro de água você deve utilizar 17 gramas de sal. Para cada 100 gramas de massa, 1 litro de água. Adicione uma colher de azeite em fio. Adicione as 200 gramas de penne. O tempo necessário de preparo sempre vem na embalagem. Lembre-se que as massas boas, normalmente são de grãos duros e devem ser servidas “al dente”, ou seja, um pouco mais durinha. De qualquer forma, quando der o tempo, retire um penne e corte ao meio. Deste modo você vai poder verificar se já está cozido por dentro. Se você quiser uma massa mais macia, deixe mais tempo. Cerca de um minuto antes de retirar a massa do seu cozimento. Ligue o fogo do molho para esquentá-lo. Desligue o fogo da massa e com uma concha, desprezando a água, vá colocando a massa no molho. Dê uma mexida e sirva. Eu acredito que você tenha arrumado o ambiente. Não é legal receber com copo de requeijão e cada prato de uma cor…rs. Não fica caro você comprar duas ou quatro taças, um conjunto de pratos legais. No seu caso, no mínimo dois. Um joguinho americano ou sousplat para colocar debaixo dos pratos também fica legal…. Monte o prato com um porção da massa, coloque um raminho de manjericão no centro e solte algumas lascas do parmesão por cima. Bom apetit!

Já ia me esquecendo. Para beber compre um vinho tinto Cabernet Franc ou Cabernet Sauvignon. Se optar por um vinho branco, escolha um Sauvignon Blanc.

A receita foi pedido do Gui, mas espero que vocês tirem bom proveito dela também!

Abraços.

Written by ovoodochef

agosto 24, 2010 at 11:39 pm

Publicado em Receita, Receita para o Gui

Os Dez mandamentos…

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Eu tô só o bagaço. Este final de semana foi o aniversário do meu caçula, fez 11 anos. Sábado a noite dormiram 8 moleques aqui em casa. Fiz lanche para todos. Nuggets com molho barbecue, cheese burger e batatas fritas com cheddar e bacon. Hoje acordei cedo e fiz churrasco para um batalhão. Mas não podia dormir sem postar alguma coisa.

Por falar nisso, hoje vou colocar aqui os “Dez mandamentos para executar uma receita” Eu extrai estes 10 mandamentos de um livro bem bacana que comprei. Este livro foi escrito pelo Alex Atala e a jornalista Carolina Chagas e chama-se escoffianas brasileiras. O título como o próprio Alex Atala descreve, foi forjado pelo encontro da atitude e do resultado de duas grandes personagens da nossa história. O compositor Heitor Villa-Lobos que escreveu suas “Bachianas brasileiras”, e de um grande cozinheiro que sabia tudo sobre base de cozinha, o francês Auguste Escoffier. O Livro ainda reuni uma séria de características fantásticas: tem um conteúdo culinário rico, fotos fantásticas, é muito belo, serve até de decoração, e além de tudo eu não preciso usar óculos para conseguir ler…rs.

Os dez mandamentos para executar uma receita

1- Antes de começar a fazer qualquer coisa, leia a receita inteira. E, se possível, mais de uma vez.
2- Confira se os equipamentos que você tem são compatíveis para a execução da receita e para o número de convidados que você pretende servir naquela data.
3- Escolha ingredientes de altíssima qualidade.
4- Se você pretende alcançar resultados altos, exercite a receita algumas vezes antes de torná-la pública.
5- A louça e a apresentação de um prato são muito importantes, mas o fundamental é o sabor.
6- Compreenda bem a receita e execute os passos possíveis com antecedência. Ou seja, não deixe para picar os legumes quando começar a fritar a carne. Tenha método e seja organizado.
7- Quando estiver preparando a receita, esteja inteiramente na cozinha, não divida sua atenção com televisão, música, telefone.
8- Muito cuidado com a substituição de ingredientes, ainda que sejam simples ervas. Antes de chegar à sua mão, aquela receita foi pensada e testada à exaustão. Sucedâneos podem gerar frustração.
9- Quem cozinha é o fogo/temperatura, não a sua mão. Contenha a ansiedade e nunca mexa demais um ingrediente ou uma panela se a receita não pedir.
10- Trabalhe sempre com fogo moderado, podendo aumentar ou diminuir a temperatura durante qualquer momento do cozimento se a receita assim pedir.

Abraços.

Written by ovoodochef

agosto 23, 2010 at 1:15 am

Publicado em Dica

Chin-Chin para vocês…

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“Hoje é sexta-feira, dia da cerveja….”. Bem a música eu acredito que seja alguma coisa assim. Eu fico impressionado como ficamos felizes com a chegada da sexta-feira, mesmo que tenhamos ainda que trabalhar o dia inteiro, deve ser a proximidade do sábado, de normalmente podermos sair à noite sem ter que se preocupar em acordar cedo no dia seguinte. É a noite do happy hour, da balada, do brinde! Brinde, você sabe o por que do brinde?

Andei pesquisando sobre a origem do brinde e encontrei várias histórias ou estórias. Quem vai saber o que é verdade ou lenda, não vivia naquela época. Vou colocar o que levantei e você escolhe qual é a mais interessante. De qualquer forma dá um bom papo enquanto brindamos aos amigos, amores, à vida, bebendo o líquido preferido de cada um.

Uma é que o brinde teria se originado na Antigüidade durante os acordos de paz entre impérios belingerantes. O mediador do acordo deveria se levantar, proclamar sua conclusão e tomar o primeiro gole da bebida (normalmente vinho, a mais mística das bebidas) para mostrar que ela não estava envenenada e demonstrar, assim, a boa vontade entre as partes.

Outra estória é de que o brinde , teve sua origem no século IV a.C., porém era realizado por uma razão bem diferente da atual. Na Roma antiga, os monarcas e nobres quando desejavam assassinar alguém envenenavam suas taças. Assim, durante os banquetes os anfitriões para mostrar aos convidados sua segurança e confiança de que o vinho não estava envenenado, chocavam fortemente suas taças com seus convidados, o que fazia que o líquido de uma taça passasse para a outra.

Celtas e gauleses brindavam à saúde dos amigos ou ao êxito dos combates, por exemplo, punham a circular um vaso cheio de vinho, de mão em mão, bebendo-se à pessoa que se queria honrar. Cada conviva dizia, olhando-a: “a ti bebo”.

O ato do brinde com toque de copos nasceu, segundo Alfredo Saramago, em seu livro O Vinho do Porto na Cozinha, em uma época na qual se utilizavam recipientes de metal ou vidro fosco que não transpareciam a quantidade de vinho servida. “Para que não houvesse enganos, durante as saúdes os copos deviam tocar-se para os dois oficiantes da saúde saberem que o copo que tocavam estava tão cheio como o seu. Tratava-se de uma oferenda e ao mesmo tempo de um gesto de delicadeza, para que ninguém ficasse mal servido”. Também se elevava, como ainda hoje, o copo à altura do coração, ou da fronte, para imprimir mais intensidade ao bonito gesto do brinde.

Existe uma outra versão, esta mais poética, para o ato de tilintar as taças ao se brindar. Dionísio, o deus grego do vinho e da fertilidade, teria iniciado a prática de fazer o som percutindo as taças umas nas outras para tornar completa a experiência sensorial da degustação do vinho. Esta, até então, só evocava quatro dos cinco sentidos: visão, olfato, tato (na boca) e paladar. A audição estava ausente.

O primeiro registro da palavra “brinde” na língua portuguesa data de 1651, no livro História Universal dos Impérios, Monarchias, Reyno & Províncias do Mundo, do padre Manoel dos Anjos. Sua origem etimológica seria alemã, vindo da expressão:  “ich bring dir’s”, algo como “bebo por ti”. Algumas fontes atribuem, ainda, a origem dessa palavra à cidade de Brindisi, bem no sul da Itália.

Apesar de sua origem ancestral, o ato de brindar só se popularizou no século XVI, quando começou a virar moda na Inglaterra. Em inglês, a tradução de brinde é “toast” (torrada), e deriva do costume de colocar pão torrado num cálice para lhe dar sabor de vinho. Quando se bebia à saúde de alguém, era preciso esgotar o cálice para chegar na torrada embebida.

O brinde é um hábito universal e uma das mais antigas tradições no mundo. O brinde acompanha os acontecimentos mais importantes na vida das pessoas. O mais clássico é se brindar com champagne, a bebida preferida de Napoleão Bonaparte que sempre comemorava uma vitória brindando com seus soldados.

E em quais ocasiões podemos brindar? Podemos brindar em inúmeros momentos: aniversários, casamentos, noivados, conquistas alcançadas, empregos novos, vitórias de nossos times, em viagens ou simplesmente quando queremos brindar à vida.

Geralmente se faz um brinde erguendo uma taça de champagne e com a presença, se for o caso, dos convidados principais ou de alguma pessoa homenageada. Sugere-se, antes de fazer o brinde, dizer o motivo pelo qual se está brindando. Pode-se também deixar que as taças se toquem levemente e pronunciar o famoso “tim-tim”. Nesse momento é imprescindível que se tome pelo menos um gole da bebida.

E por falar em tim-tim, eu falo chin-chin para vocês. O nosso tim-tim é proveniente da China, onde se fala chin-chin. A palavra chin significa felicidade e sua repetição, para o chinês, significa MUITO! Então muitas felicidades para vocês!

Já que falamos como se brinda na China, vamos dar uma voltinha no mundo e saber como eles brindam? Na França, A votre santé! Na Espanha, Salud! Na Inglaterra, Cheers! Na Alemanha, Prosit (informalmente) e Zum Wohl (formalmente). Na Holanda, Proost! Na Itália, Salute! Na Rússia, Za vasheh! ou Nazdorôvia!(felicidade!). Em Hebraico, Leh hayim! (à vida!). Em grego, Is ihien! Em árabe, Fi sahad tak! Em gaélico, Slainte! (Viva!). No Japão e Coréia, Kan pei! (significa copo vazio). Na Noruega, Skol! Na Finlândia, Maljanne! Na China, Chin-Chin.

Bem, Chin-Chin para vocês, mas nunca esqueça….

Fonte: colunistas.portalradar.com.br/post/A-Historia-do-Brinde.aspx e www.sbav.com.br/novo2004/artigos/artigos/brinde.php

Written by ovoodochef

agosto 20, 2010 at 12:15 am

Publicado em Curiosidade

A vida as vezes pode ser amarga, mas este doce…

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Hoje estou pagando uma dívida, fiquei de postar esta receita no dia dos pais e ainda não tinha feito. Como titulei este post, a vida às vezes pode ser amarga, mas com certeza esta sobremesa é maravilhosa! E o melhor de tudo, é muito fácil de fazer.

Hoje vou introduzir um termo de cozinha: “mise en place”.  O que significa este termo francês? Bem, na hora que você for cozinhar, é toda a organização que você deve fazer antes de realmente ir para o fogão/forno. Melhor ainda, é você ler a receita e separar em potinhos todos os ingredientes para facilitar o seu trabalho. É realizar todo o pré-preparo antes da receita alvo. Você vai ver na foto seguinte o “mise em place” desta receita.

Ingredientes

1 caixa morangos, cerca de 300 gr
60 gr suspirinhos
300 ml creme de leite gelado
1 colher chá açucar
2 medida tampinha do frasco da essência de baunilha

Modo de Preparo

Lave e corte os morangos do tamanho desejado. Os suspiros eu comprei pronto. Se você morar em Brasília, vá ao mercado La Palma que lá tem. Qualquer dia falarei deste lugarzinho fantástico que temos aqui em Brasília. Coloque o creme de leite, o açúcar e a essência em um bowl (vasilha) bem limpa. Bata na batedeira até atingir a consistência desejada. Misture o morango, os suspiros e o chantilly em uma tigela e sirva. Você pode decorar com uma folhinha de hortelã, com um carpaccio de morangos ou mesmo com um morango em pétalas como fiz hoje.

Abraços.

Written by ovoodochef

agosto 19, 2010 at 12:41 am

Publicado em Receita

A História do Sanduíche

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A história do sanduíche é a história do inglês Fourth Earl of Sandwich, primeiro lorde do almirantado, ou simplesmente John Montagu, também conhecido como Conde de Sandwich. Ele viveu de 1718 a 1792. Naquela época, nenhum homem público teve reputação de ser mais amargo e, ao mesmo tempo, mais amado por seus subordinados no almirantado. Atribui-se a ele, que era um jogador inveterado, o conceito do sanduíche (sandwich): carne entre duas fatias de pão. A invenção teria sido a forma encontrada por Montagu para resistir o maior tempo possível nas mesas de jogatina. Com a ajuda do sanduíche, ele não perdia uma rodada sequer.

 
De lá para cá, as pessoas ficaram muito mais ocupadas que o nobre inglês, e a criação do criado virou mania universal. Atraente pelo visual, na maioria das receitas tão simples, o sanduíche viu passar dois séculos incorporando à sua fórmula básica tudo o que se possa imaginar de comestível. Hoje vivenciamos cadeias mundiais de sanduíches, como o McDonald’s, Burger King entre tantas outras. Hamburgueres e hot-dogs são conhecidos praticamente no mundo todo.

Hoje para inaugurar esta nova categoria que aqui estou postando, vou dar uma receita de um sanduíche perfeito para tomar com cerveja. O meu sanduíche de Goulash!

Ingredientes

3 xícara água (720 ml)
6 unidade cebola média (600 gr)
700 gr músculo
1 colher sopa páprica doce
1 colher chá páprica picante
1 Colher chá Sal

 Modo de preparo

Corte a cebola em rodelas. Limpe bem a carne, retirando o máximo de nervos e gorduras. Corte a carne em cubos de 2,5 cm. Coloque todos os ingredientes em uma panela de pressão, tampe-a e leve ao fogo alto. Quando a válvula começar a chiar, reduza a chama e cozinhe por cerca de 45 minutos. Retire do fogo, espere acabar a pressão e abra a panela. Normalmente eu volto a panela de pressão destampada ao fogo baixo e deixo até engrossar o molho, se precisar vá desmanchando a carne com uma colher de pau.  Sirva como recheio de um pão de sal crocante. A bebida ideal para acompanhar é uma cerveja bem gelada.

Eu adoro comer sanduíche e muitas vezes troco uma refeição por um!

Inté.

Written by ovoodochef

agosto 17, 2010 at 10:58 pm

Publicado em Hi(e)stória, Receita